Olá!

Cumprindo o último tópico do Desafio 12 Meses Literários, cujos tópicos estão na imagem disponível na sidebar, eu deveria ler uma adaptação literária. Não costumo ler os livros depois de ter visto os filmes, salvo raras exceções. E no fim do ano passado, comprei Spotlight, mas, por ocasião do meu TCC, posterguei a leitura. Até hoje.
SKOOB - Spotlight - Segredos Revelados é mais que um livro, é um documentário que mostra o quão passiva e acobertadora foi a Igreja Católica ao longo dos anos, quando optou por esconder os muitos padres abusadores sexuais de menores. Isso mesmo, a Igreja escondeu por décadas muitos sacerdotes que, com a certeza da impunidade e, usando roupas e hábitos religiosos, violentaram muitas crianças, meninos, em sua imensa maioria.

A história teve sua origem na Arquidiocese de Boston, região em que se concentra o maior número de católicos dos EUA - mais de três milhões, números de 2015, data desta edição, atualizada em virtude do filme, lançado no ano seguinte e vencedor de dois Oscar, nas categorias "Melhor Filme" e "Melhor Roteiro Original". Em suma, cada vez que uma denúncia de um padre abusador surgia, ele apenas era mudado de diocese - saía de uma igreja para outra. Em alguns casos, eram internados em clínicas e, com o aval de médicos, voltavam ao trabalho episcopal, supostamente "curados".

Não vou me ater aos detalhes de quando começou tampouco citar nomes, porque são tantos nomes que o leitor só não se perde porque alguns se destacam mais que outros - estes são verdadeiros predadores sexuais - mas sim contar como o trabalho dos jornalistas e editores do Boston Globe (o periódico responsável por trazer à luz essa atrocidade) em juntar muitos detalhes de um grande quebra-cabeça, contendo muitas entrevistas, documentos e, claro, provas confidenciais.

Inclusive, podemos ver como o papel do Vaticano foi crucial nisso, ao passar pano nos cardeais que passavam pano para os pedófilos. E como a religião, quando misturada aos órgãos estatais, pode resultar num desastre, já que, houve um certo choque de interesses por parte de algumas autoridades policiais na hora de tomar as medidas cabíveis contra os acusados - quem ousaria dar voz de prisão a um sacerdote? Inclusive, o Papa João Paulo II, a quem eu estimava, dada sua importância, me decepcionou quando decidiu cuidar dos seus, em detrimento do sofrimento das vítimas.
O Cardeal Law teve um papel crucial no acobertamento, tendo em vista que ele era um dos cabeças da Igreja Católica nos EUA. De Boston, garantiu uma cadeira direto no Vaticano.
Aliás, o livro nos mostra o que acontece quando a vítima é abusada por alguém que sua família tem em alta conta (aqui, no caso, é um padre, mas pode ser um tio, um amigo, ou até mesmo o próprio pai, por exemplo). Muitos se aproveitavam do fato de que as crianças vinham de famílias disfuncionais e/ou pobres e, após conquistas a confiança dos pais, atacavam. Como os abusos datam dos anos 50, para nós pode parecer estranho, mas naquele tempo era super normal um padre levar as crianças para tomar sorvete ou nadar em piscinas públicas.

Para os jornalistas de hoje, o escândalo da Arquidiocese de Boston (o livro tem esse nome devido à equipe responsável pelas investigações, chamada de Spotlight) é o novo Watergate. Logo, para os estudantes de jornalismo, faz-se essencial a leitura do mesmo (ou pelo menos ver o filme) para que se compreenda o papel do profissional e da imprensa numa sociedade que vive sob um regime democrático. Sem a insistência deles (e a coragem das vítimas em se abrir) nunca saberíamos desse caso e, naturalmente, até hoje os sacerdotes desta e de outras cidades estariam cometendo seus crimes.

Termino dizendo que, infelizmente, ainda falta muito para que todos os religiosos paguem por seus crimes (se é que algum dia vão pagar, já que muitos até morreram) e também falta muito para que o Estado se dissocie por inteiro da Igreja, pelo menos no lado de cá do globo. Porém, o livro ressalta a importância da população leiga (os católicos que frequentam a igreja) em querer que a Igreja mude, principalmente nos pontos delicados, como a ordenação de mulheres e gays e o fim do celibato. Sabemos que é um trabalho difícil, mas se tivermos do lado certo, toda luta é válida.

Pela primeira vez participo de um desafio literário e fiquei feliz com o resultado, pois cumpri onze dos desafios propostos. Que venha o próximo ano com mais desafios!

Compre Spotlight - Segredos Revelados clicando aqui.

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Olá!

Para o décimo tópico do Desafio 12 Meses Literários, o escolhido deveria ser "um livro infantil". No início deste ano, a Autêntica (re)lançou mais uma série de livros clássicos: depois de Pollyanna (falei aqui e aqui) e uma coletânea com contos de Grimm, Perrault e Andersen, chegou a vez de contar a história da garotinha mais popular da Suíça. Vem conhecer a história de Heidi, a menina dos Alpes.
SKOOB - Com o subtítulo de "Tempo de Viajar e Aprender", antes de ser a Menina dos Alpes, Heidi, uma garotinha de cinco anos, morava com sua tia no vilarejo de Maienfeld, mas como esta arrumou um emprego bacana em Frankfurt (Alemanha) e não podia levar a menina, resolveu deixá-la com o avô da pequena, que morava isolado nas montanhas. Mas o avô de Heidi não tinha a melhor fama.

O "Tio dos Alpes" era conhecido por ser um velho mal-educado, vivia sozinho, isolado e amargurado, levantando as mais diversas suspeitas na aldeia que ficava próxima às montanhas - os famosos Alpes suíços. Então, quando Dete - a tia - resolveu deixar a menina lá, alguns populares ficaram revoltados, porque, quem garantia que a menina ia ser bem cuidada?

Mas qual a surpresa quando, assim que Dete deixa a pequena lá, o Tio dos Alpes começa a cuidar dela com amor e carinho, mostrando que o velho não era nem um pouco mau, pelo contrário, era um homem amargurado, com uma grande tristeza em seu coração, que até mesmo o afastou de Deus. O tempo passou e Heidi passou a ser parte indissociável daquela montanha, ela amava tudo aquilo, até mesmo seus vizinhos, como o Pedro das Cabras, sua mãe Brigitte e a avó, que é cega mas passa seus dias fiando.

Só que, como tudo o que é bom não dura, tia Dete, com a cara mais deslavada do mundo, volta para buscar a menina. Isso porque Dete conseguiu que uma certa família Sesemann, de Frankfurt, acolhesse uma menina para fazer companhia para a filha do senhor Sesemann, uma garotinha paraplégica. Heidi então é levada de seu lar rumo à Alemanha.

Na casa dos Sesemann, Heidi aprende a ler, cria uma forte amizade com Clarinha, a menina paraplégica, mas também passa uns perrengues com a senhora Rottenmeier, que por ser uma religiosa fervorosa, sequer a chama de Heidi - e sim de Adelaide, um nome cristão. É é nessa passagem por Frankfurt que Heidi vai aprender muitas coisas, não só as letras, mas também o que é a fé e o que é família e amor.

Esse é o tipo de livro que me faz querer ter filhos. Mas depois a vontade passa, não se preocupem. Assim como Pollyanna, a inocência de Heidi nos faz acreditar que é possível um mundo melhor, com gente bacana e sem nenhuma maldade. Infelizmente nunca será assim, mas me consola saber que ainda teremos crianças neste mundo, que nos encherão de esperança.
Os Alpes Suiços hoje. Realmente encantador.
Essa nova edição, da Autêntica, traz a versão integral, sem adaptações e com ilustrações de Jessie Willcox Smith (1863-1935), como essa usada no post. A editora também alerta para possíveis questionamentos que venham a intrigar o leitor de 2017: como foi escrito em 1880, o mundo era bem diferente, as religiões em voga eram outras, os costumes eram outros, tudo era bem diferente... a começar pelo café da manhã de Heidi assim que ela acorda pela primeira vez nos Alpes: leite de cabra com queijo e carne??

Vale ressaltar também que Johanna Spyri era religiosa e, digamos, uma especialista em livros infantis, o que é possível ver em sua escrita, didática e de fácil compreensão, perfeita para o pequeno leitor. Então sim, em tempos em que vemos a infância corrompida, todos devem ler Heidi, cujo filme está disponível na Netflix.

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Olá!

Há algum tempo, postei aqui no blog a resenha de Pollyanna, em nova edição publicada pela Autêntica. Rapidamente, caso alguém não saiba, "Pollyanna" foi escrito pela norte-americana Eleanor H. Porter, em 1913. Dois anos depois, veio o "Pollyanna Moça", cuja resenha eu trago agora.
P.S.: pode conter spoilers do livro anterior.
Pollyanna Moça começa, por incrível que pareça, sem Pollyanna. Della Wetherby é uma enfermeira que conhece a garotinha de longa data, e, via carta, acaba pedindo para a tia de Pollyanna que deixe a menina na casa de sua irmã, ms. Ruth Carew, aproveitando que tia Polly e seu marido vão passar uma temporada na Alemanha.

No início, ms. Polly Chilton fica ressabiada com o convite de miss Wetherby, pois não quer que vejam a menina como "remédio", a ser medicada em "doses". Mas, o dr. Chilton, marido de Polly, acha uma boa ideia, corroborada pelo dr. Ames, médico de Pollyanna, que conhece a reputação de ms. Carew.

Mas não será nada fácil para Pollyanna. Seu jeitinho doce não faz o tipo de Boston, que é a cidade de ms. Carew. Tia Polly autoriza a viagem, mas fazendo questão de, antes, conhecer a tal senhora que cuidará da menina. Ruth Carew tem uma profunda tristeza, que fará com que Pollyanna tenha mais dificuldade em fazer seu conhecido Jogo do Contente.
Depois que Pollyanna volta de Boston, onde viveu várias situações e conheceu pessoas queridas, como Jamie e Jerry, ela vai para a Alemanha com seus tios. Volta só seis anos depois, com tia Polly tão triste quanto antes, agora que o dr. Chilton faleceu e elas estão muito endividadas. Jimmy Bean, amigo de Pollyanna de longa data, agora está mudado. Oficialmente, ele foi adotado pelo sr. Pendleton, outro amigo de Pollyanna, então não gosta mais de ser chamado de Jimmy Bean, mas Pollyanna não consegue...

Ruth Carew também está diferente, para melhor. Conforme o tempo foi passando, ela adotou Jamie, o amigo que Pollyanna fez em Boston, mas o motivo de sua tristeza profunda permaneceu todos esses anos. Agora, aos 20, vai ficar mais difícil para Pollyanna fazer seu jogo...

Até a Bienal, não fazia ideia de quem era Pollyanna, só a conhecia através de seu ditado popular. Mas me encantei com o primeiro volume e também me encantei com este. Apesar de ter sido escrito em 1915, onde as convenções sociais eram muito diferentes das nossas, muitas coisas nele retratadas ainda são vistas em pleno fim de 2016. Há uma forte crítica social por trás das palavras de Sadie Dean, por exemplo. Sadie Dean é uma moça que Pollyanna conheceu no Boston Public Garden. Ela tem uma vida sofrida, sem motivos para sorrir, mas sua mensagem tocou profundamente a ms. Carew, a ponto de sua vida ter uma revira-volta.
Apesar da crítica social nele incluída, o livro é, obviamente, voltado às crianças, que não podem perder a essência da infância. Atualmente, as crianças meio que estão crescidas demais, amadurecem antes da hora. Não vou entrar nos méritos que levaram a essa situação, mas, no meu tempo, meninas (incluindo eu) queriam ser professora e os meninos, jogador de futebol. Hoje já não é mais assim. Detalhe: tenho "só" 22 anos. Ter a inocência de Pollyanna, hoje em dia, é praticamente impossível. Se Pollyanna vivesse em 2016, ela teria perdido toda a fé na humanidade e seu Jogo do Contente ficaria no passado.

Livros como Pollyanna e Pollyanna Moça não podem ficar de fora da biblioteca tanto das escolas como das casas das crianças. Histórias como essas são aquelas que os
pais devem ler para os filhos antes de dormir, porque, além de terem lindas mensagens, são uma forma de manter a fé na humanidade, que hoje tá difícil...

A edição da Autêntica está uma graça. Não encontrei erros e o desenho da capa mostra, sutilmente, o crescimento de Pollyanna. O Pollyanna Moça tem mais páginas que o anterior, mas dá pra ser lido rapidamente, pois a escrita é fluida - obviamente feita pensando nos pequenos.

Portanto, a leitura está mais que recomendada. Pollyanna e Pollyanna Moça foram escritos para as crianças, mas todos devem ler, inclusive como forma de unir a família, conceito esse que foi tão transformado ao longo do tempo.


Olá!

Quem aí gosta de HQs? E de coisas fofinhas como bolinhos, unicórnios e pôneis? Então vem conferir a resenha dupla de hoje. Resolvi resenhar os dois volumes porque, como a leitura é fácil, dá pra ler super rápido. Depois de dois anos de sucesso na internet, Niazinha, a personagem do site Como Eu Realmente... virou livro. E dois volumes!

Niazinha é vagamente inspirada na sua criadora, a publicitária Fernanda Nia. Com seus pensamentos sobre coisas reais e aleatórias, a personagem que ama bolinhos e é dominada pela Srta. Garrinhas, sua gata, Niazinha acabou virando um ícone na internet - e agora imortalizada nos quadrinhos da Nemo, selo de HQ do grupo Autêntica - por seus pensamentos sobre seu dia-a-dia, o que acontece na sociedade, etc...

Apesar de ser predominante rosa, fofinho e feminino, as tirinhas de Como Eu Realmente... podem ser compreendidas por todos. Homens e mulheres, meninos e meninas vão se identificar e rir bastante com as aventuras de Niazinha e sua turma. (gente, que clichê, socorro) Aliás, os balões de pensamento existente nos dois livros mais parece uma conversa entre a cartunista e o leitor.

Poderia encher o post de fotos do livro, mas além da qualidade das fotos ficar ruim, é mais prático selecionar algumas tirinhas do portal, para que vocês tenham ideia de como é o trabalho da Fernanda. Nem todas as tirinhas estão no livro, mas dá pra ter uma ideia de como a Niazinha é engraçada (e a srta. Garrinhas quer dominar o mundo). Lembrando que as tirinhas foram retiradas do portal e facebook do CER.
 

Agora, a pergunta é: Quando sai o terceiro volume??? Porque agora tem o Kevin Crush, que é o amorzinho da Niazinha, e ele precisa estar no livro! E digo mais, queria mesmo era que Niazinha ganhasse uma animação. Já pensaram nas tirinhas sendo faladas? 

Por serem quadrinhos, não dá pra aprofundar na resenha. Mas tá recomendada sim a leitura. Aliás, os meus dois exemplares, comprei na Bienal e paguei super barato (mais barato que na Amazon, inclusive) e ainda tive o prazer de ter os dois autografados. Com desenhos e tudo!!!!

Então, sim, claro que recomendo a todos esses quadrinhos maravilhosos! E não deixem de conferir o site, ou sentirão a fúria da srta. Garrinhas!
Como a caneta é clara, lá vai: "Muito obrigada pelo apoio. Espero que goste!" E ainda tem a benção da srta. Garrinhas
"Espero que goste da sua segunda dose de bolinhos e besteiras!" Sim, ela desenhou um bolinho.
Fernanda, respondendo a sua pergunta, não, meu nome não tem nenhum ideograma ou hieróglifo.